Por que você viaja sozinha?


Ano retrasado tive que tirar alguns dias de férias e fui para a praia sozinha - logo ali no litoral norte. Uma viagem simples para queimar dias de férias acumuladas e que dariam uma desestressada nessa cabeça morena. Pois bem, em meus dias de descanso, tranquilidade, tendo a natureza e meus livros como cia, sempre sentia os olhares curiosos de um casal me olhando. Até que nos últimos dias de minha estadia entrei numa conversa com a senhora que me perguntou por que eu estava ali sozinha. Eu no auge de meu estado zen dei a explicação mais básica, e ela com aquele olhar de dó mandou: "Nossa eu até comentei com meu marido que achava que você tinha terminado com algum namorado e estava aqui para superar!" (Interjeição em minha cabeça: OI?????).

Fiquei olhando atônita para a senhora, pensando em mil coisas para falar e querendo dar uma palestra, MAS achei que meu tempo seria melhor aproveitado sentada ao sol olhando o mar!

Por que eu contei essa estória? Porque minha última viagem a Fortaleza me fez lembrar dela e pensar em uma questão que repasso a todos os meus amigos homens: Quando vocês viajam sem nenhuma companhia também lhe fazem essa pergunta: Mas por que você está viajando sozinho? (acompanhada de uma carinha piedosa).

Em todos os lugares para os quais viajei até hoje - sem exceções - me olharam com aquela cara de espanto/dó/choque/surpresa e, fosse em inglês, francês, espanhol, italiano, português, me perguntavam se eu estava sozinha mesmo, e o porquê de eu estar viajando sozinha.

Ora meu povo, em um mundo globalizado, onde a mulher trabalha, ganha seu próprio dinheiro, paga suas contas, tem o mesmo direito de ir e vir que todos os homens e está conquistando cada vez mais sua independência, devo admitir que ando ficando um tanto IRRITADA com a frequência dessas perguntas. MAS já que todos parecem ter uma curiosidade tão aguçada, aí vai minha mais sincera resposta.

Viajo sozinha porque me basto, porque o mundo é meu lar, porque amo viajar e não dependo de ninguém para fazer o que quero. Trabalho de segunda a sexta (às vezes mais - e eu amo) e tenho todo o direito de comprar minha passagem aérea, de ônibus, trem, jegue ou encher o tanque do meu carro e ir... simplesmente ir... desfrutar de minha própria companhia, traçar meu próprio roteiro e muitas vezes alterá-lo ao longo do caminho sem ter que dar satisfações para alguém.

Viajo sozinha porque antes de ser 2 ou 3, fico confortável comigo, posso me colocar à prova constantemente, testar meus limites, saber até onde sou corajosa ou onde preciso de uma mãozinha, e são esses momentos que me fazem crescer como pessoa e como mulher para lidar com tudo nessa sociedade - que vamos dizer, ainda tem muito o que evoluir.

Viajo sozinha para explorar, ver o mundo pelos meus olhos, conhecer novas culturas, lugares, jeitos, fazer novos amigos, contatos, e poder dar a minha opinião exclusiva sobre os mais diversos assuntos.

Viajo sozinha não para provar algo para alguém (mesmo porque quero educadamente que os outros se explodam com suas opiniões sobre mim #beijonoombro) e sim para aproveitar a minha vida, tomar minhas próprias decisões, criar novas experiências de vida - e também trocar experiências com as pessoas que conheço pelo caminho - aumentar meu repertório de histórias e me tornar ainda mais interessante de conversar.

Viajo sozinha porque não dependo de ninguém, não deixo de fazer nada por não ter companhia porque simplesmente fico confortável na minha própria pele e me divirto horrores com os tombos e conquistas pelo caminho (sou daquelas que ri sozinha na rua e saio cantando sem me preocupar se estão me achando louca).

Já passei perrengues? É claro que sim, como todos os outros seres humanos no mundo! Já me senti ameaçada do outro lado do oceano, já quase fui assaltada, já me perdi e me encontrei, já fui seguida dentro de uma estação de trem e pedi ajuda para um senhor dinamarquês e seu filho com lágrimas nos olhos, MAS TAMBÉM já conheci pessoas incríveis (que hoje são meus amigos, e outros que estão pelo mundo), aumentei meu repertório de imagens mentais, criei memórias que me acompanharão para sempre, já me deslumbrei olhando o sol bater nas águas do Rio Sena ouvindo música francesa, e cada uma dessas experiências me fizeram crescer como pessoa e aprender até onde posso ir.

Não preciso de companhia para ter valor, não preciso de olhares de piedade, inveja ou ciúmes das mulheres acompanhadas que se sentem ameaçadas; não preciso de guarda-costas, somente das leis que garantam minha segurança como ser humano e como mulher, e meu direito de ir e vir. Os olhares de piedade deveriam vir de mim, tendo que ouvir perguntas das pessoas que simplesmente não sabem atravessar a rua sozinhas, quem dirá atravessar o oceano por si mesmas.

É claro que é uma delícia ter companhia em uma viagem e fazer comentários para alguém - seja amiga, amigo, namorado, família - que ria com você além de você mesma, mas o prazer da conquista de passar por situações, aprender e vivenciar o mundo a sua maneira é INDESCRITÍVEL!

Todos - sejam mulheres, homens ou LGBTTT - antes de virarem 2, ou 3, ou vários deveriam passar pela experiência de viajar sozinhos, de se conhecerem a fundo e assim poderem passar pela vida vivendo e não somente multiplicando e existindo.

Então minha gente, se vocês não tem nada mais interessante para perguntar a uma mulher que está viajando além de o "porquê ela estar viajando sozinha", sugiro que simplesmente e respeitosamente guardem suas línguas em suas respectivas bocas, pois vocês com certeza não estão preparados (as) para conhecer essa mulher!

Por isso eu viajo sozinha.... simples assim!

Até a próxima.

MM

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